Mas algumas coisas não podem esperar pela papelada.
Quando ele me perguntou se eu tinha feito a capa, eu disse que sim.
Quando ele passou o polegar sobre os pássaros amarelos e disse que se perguntou a vida inteira quem os tinha feito, isso foi o suficiente para mudar algo real entre nós.
Incompleto.
Não é simples.
Mas é real.
De onde vem a verdade?
As conversas que se seguiram não foram fáceis.
Há raiva. Há tristeza. Há confusão que não se resolve da noite para o dia.
Meu pai agora se isola, um lembrete silencioso do preço que o silêncio pode pagar. Criar filhos.
Mas também há algo novo.
Algo frágil, porém estável.
Miles chega com café.
Conversamos aos poucos, não tudo de uma vez. Às vezes sobre o passado, às vezes sobre nada em particular.
Não forçamos um relacionamento a assumir uma forma para a qual ele não está pronto.
Deixamos as coisas como estão.
Onde estamos agora.
Ontem, ele estava na minha cozinha, segurando duas xícaras, e disse:
"Mamãe está muito intrometida agora, mas o café serve." "Colheita de cereais e sementes
Não foi perfeita."
Não foi uma declaração.
Mas foi sincera.
E depois de vinte e um anos vivendo uma mentira, a honestidade — por menor que seja — parece algo a que vale a pena se agarrar.
Por ora, isso basta.
Por ora, um café resolve.