—O perdão não é exigido—, disse ela. —Ele se constrói sem destruir o que resta.
O juiz autorizou ligações supervisionadas e visitas futuras, condicionadas à terapia, ao cumprimento das obrigações financeiras e ao respeito absoluto pelas crianças. Marcus aceitou sem questionar. Talvez porque não tivesse mais forças. Talvez porque finalmente entendesse que ser pai não era exibir um herdeiro em uma clínica, mas sim permanecer ao lado da criança mesmo quando ninguém aplaudia.
Naquela noite, Julianne levou Sofia e Mateo ao parque. Havia uma pequena fonte, luzes aconchegantes e músicos tocando perto da esquina. Mateo correu atrás de alguns pombos. Sofia sentou-se ao lado da mãe e mostrou-lhe um novo desenho: três pessoas debaixo de uma árvore, com uma mala ao lado e um céu imenso acima delas.
—Mamãe—perguntou a menina—, esta é a nossa casa agora?
Julianne olhou para o desenho, depois para os filhos, e sorriu com lágrimas nos olhos.
—Não, meu amor. Nosso lar somos nós. Todo o resto são apenas paredes.
Sofia apoiou a cabeça no ombro dele. A milhares de quilômetros de distância, Marcus encarava uma tela em branco, esperando uma ligação que seus filhos ainda não queriam fazer. E Julianne, pela primeira vez em muitos anos, não sentiu culpa por não ter salvado aquele que tentara arruiná-la. Ela simplesmente abraçou os filhos com mais força enquanto o vento agitava as folhas, como se o mundo inteiro estivesse se despedindo deles.