“Abra a porta, Linda”, eu disse. Minha voz era baixa, sem qualquer calor. “Estou aqui por causa da Emily.”
“Emily está dormindo”, mentiu ele. A mentira foi tão convincente, tão ensaiada, que quase me impressionou. “Ela teve um pequeno surto mais cedo. Ela está emotiva. Precisa descansar, não que o pai entre no quarto como um louco.”
“Ela me ligou”, eu disse a ele. “Ela me pediu para ir até aí. Agora, você pode soltar essa corrente ou eu posso arrombar essa porta e a gente explica o estrago na propriedade para a polícia. A escolha é sua.”
A boca de Linda se contraiu em uma linha fina. Ela olhou por cima do ombro, trocando um olhar com alguém que não conseguia ver.
“Isso é um assunto familiar privado”, disse ela, com a voz gélida. “Você é um estranho aqui. Sua presença só vai piorar as coisas.”
“Sou o pai dele”, eu disse, aproximando-me da fresta da porta. “Não sou um estranho. Abra. A. Porta.”
Ela hesitou por mais um segundo, me avaliando, percebendo que eu não ia a lugar nenhum. Com um suspiro de irritação, deslizou a corrente e destrancou a porta. Não deu um passo para trás para me deixar entrar; permaneceu firme, me obrigando a passar por cima dela.
Entrei no hall de entrada. A casa cheirava a café velho e algo amargo, como suor e esmalte de limão tentando disfarçar o odor.
"Mark!" chamou Linda, com a voz aguda. "Ele está aqui."
Entrei na sala. Era um showroom de móveis bege e obras de arte caras, mas o ambiente era sufocante.
Mark estava parado perto da lareira. Parecia pálido, com as mãos nos bolsos. Ele não olhou para mim. Estava encarando um ponto no tapete, com a mandíbula se movendo.
E então eu a vi.
Emily estava no chão.
Ela não estava sentada no sofá. Ela não estava em uma cadeira. Ela estava encolhida no canto entre o sofá e a parede, com os joelhos dobrados junto ao peito, tentando se encolher o máximo possível.
— Hã? Eu disse. A palavra saiu como uma frase.
Ela olhou para cima.
Senti meu fôlego escapar dos pulmões rapidamente.
Seu rosto estava inchado, sua pele esticada e brilhante. Seu olho esquerdo era uma fenda raivosa, roxa e preta. Seu lábio estava cortado. Mas não foram os ferimentos que me paralisaram; foi o olhar em seus olhos.
Era o olhar de um animal encurralado que havia esquecido como era o céu.
"Papai?" ela sussurrou.
Caí de joelhos, ignorando a rigidez nas minhas articulações, e arrastei os poucos pés que lhe restavam. "Estou aqui, querido. Estou aqui."
Linda entrou na sala, com Robert atrás dela. Robert era um homem alto, com uma barriguinha saliente, vestindo um roupão que parecia custar mais do que meu caminhão.
“Ela caiu”, anunciou Linda em voz alta, como se estivesse falando com uma pessoa surda. “Ela estava histérica. Gritando, jogando coisas. Tropeçou no tapete e bateu na mesa de centro. Passamos a noite toda tentando acalmá-la.”
Eu não olhei para Linda. Olhei para Mark.
"Ele caiu, Mark?", perguntei. Minha voz estava perigosamente calma.
Mark estremeceu. Abriu a boca, mas nenhum som saiu. Olhou para a mãe e depois voltou a olhar para o chão.
“Você não interroga meu filho”, Robert cuspiu as palavras, finalmente encontrando sua voz. “Você não tem ideia do que estamos enfrentando. Emily está… instável. Ela está fora de controle há meses.”
Estendi a mão para ajudar Emily a se levantar. Ela estremeceu quando minha mão envolveu seu cotovelo.
"Ah", ela exclamou, afastando-se.
Eu paralisei. Delicadamente, lentamente, empurrei para baixo a manga do suéter dela
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