Por alguns segundos, Rosa encarou Miguel. Ele cerrou os dentes, como se ordenasse que ela se calasse. Paulina apenas balançou a cabeça em sinal de advertência.
Mas algo mudou em Rosa.
Ela retirou a mão da bochecha.
—Sim. Meu filho me deu um tapa.
Miguel abriu os olhos.
-Mãe!
—E a esposa dele aplaudiu— acrescentou Rosa, com a voz embargada. —Ela disse que eu tinha que aprender o meu lugar.
O policial anotou tudo.
Paulina tentou intervir.
—Senhor policial, não foi assim. Foi uma piada de mau gosto. Estávamos todos agitados.
O policial olhou para ela com severidade.
—Você acha que aplaudir um ataque é uma piada?
Paulina permaneceu em silêncio.
Miguel começou a entrar em desespero.
—Pai, por favor. Eu sou gerente na empresa. Se isso vazar, você vai arruinar a minha vida.
Julian sentiu uma dor profunda ao ouvir isso. Miguel não estava preocupado com a mãe, mas sim com a sua reputação.
"Você estragou tudo para si mesmo ao bater na mulher que lhe deu a vida", respondeu ele.
A polícia explicou a Miguel que ele tinha de os acompanhar para registar a queixa. Ele gritou, praguejou, disse que Julián era um velho amargurado, que Rosa o tinha provocado e que Paulina era a única que o compreendia.
Rosa estava chorando, mas não ia mais recuar.
Quando o levaram embora, Paulina caminhou em direção à porta atrás dele, mas antes de fazê-lo, virou-se para Rosa.
—Parabéns, Dona Rosa. Finalmente conseguiu o que queria: ficar com seu filho traumatizado.
Rosa olhou para cima.
—Não, Paulina. O que eu queria era que meu filho me respeitasse.
A porta se fechou.
A casa ficou em silêncio.
Naquela noite, depois de prestar depoimento, Rosa não conseguiu dormir. Julián também não. Às três da manhã, ela disse:
—Em que momento perdemos o controle?
Julian sentou-se ao lado dela.
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