Confronto na creche
Parecia ridículo, e ainda assim senti uma onda de determinação. Essa era a única maneira de entender o que realmente estava acontecendo em nossa casa. Mas às 3h da manhã, enquanto assistia à gravação no meu celular, essa determinação se transformou em algo mais sombrio. Rosa estava lá, tensa e alerta, tirando Matthew do berço e o enrolando firmemente em um cobertor cinza. Como se—
Como se ela tivesse planos de ir a algum lugar com ele.
Antes que eu pudesse reagir, a porta do quarto rangeu ao abrir, e meu coração disparou. Spencer entrou, usando luvas de couro pretas que brilhavam na penumbra. O que ele estava fazendo? Atrás dele, Eleanor vinha com uma maleta médica prateada. Senti o ar escapar dos meus pulmões enquanto o pânico me dominava. Fiquei paralisada, meu celular iluminando um pesadelo.
"Onde ele está?", perguntou Spencer, olhando para o berço vazio, com uma expressão confusa no rosto.
A voz de Eleanor carregava um tom de frustração. "A empregada o escondeu de novo."
De novo? Meu coração parou. O médico — outra figura de jaleco branco — aproximou-se silenciosamente, abrindo a caixa prateada. Olhei para a tela com os olhos semicerrados, as mãos tremendo enquanto tentava processar o que estava acontecendo. Lá dentro havia seringas, gaze e um frasco transparente. Uma pulseira de identificação do hospital com o nome do meu filho, “Matthew Spencer Montgomery”, estava entre os instrumentos. Mas, embaixo do nome, havia outra etiqueta colada: “Paciente Doador”.
Cada respiração que eu dava era superficial, meu coração disparava. Eu não conseguia respirar. Isso não estava acontecendo. Eleanor começou a procurar debaixo da cama. "Encontre-o rápido. Valerie acorda com o menor ruído."
Spencer olhou de relance para a câmera em forma de ursinho de pelúcia. Por uma fração de segundo, meu coração disparou e pensei que ele tivesse me visto. Mas ele apenas sorriu, aquele tipo de sorriso que me deixa sem fôlego.
“Relaxa, mãe. Amanhã ela vai assinar os papéis da internação compulsória. O médico já preparou o diagnóstico psiquiátrico dela.”
Compromisso? Para quem? Para mim? A voz do médico ecoou nos meus ouvidos: "Sem o menino, não posso realizar o procedimento."