Minha irmã estava ali parada, pálida e trêmula, com as roupas sujas e o cabelo emaranhado. "Eu não sabia para onde ir", sussurrou. Eu deveria tê-la ignorado. Em vez disso, me afastei.
Ela se movia como um fantasma, sentada em silêncio, agarrando o estômago. Sem desculpas, sem defesas. Apenas medo.
Por volta da meia-noite, ouvi um grito dela. Encontrei-a caída no banheiro, uma poça de sangue embaixo dela. "Me desculpe... me desculpe..." ela repetia sem parar. Não pensei, agi. Toalhas, chaves, hospital. Fiquei ao lado dela, preenchi formulários, respondi perguntas. Ela havia sofrido um aborto espontâneo. O bebê tinha ido embora.
Mais tarde, enquanto lavava a roupa dela, encontrei um bolso escondido costurado em seu suéter. Dentro havia uma pequena bolsa de veludo contendo uma pulseirinha de prata com um pingente de pezinho rosa. Gravada nela estava uma palavra: Angela. Meu nome.
Eu tinha planejado dar o nome dele à minha filha.
A história que ele me contou se despedaçou. Sim, ele me traiu. Mas ele a cortejou, mentiu para nós duas, prometeu protegê-la e depois a abandonou. Ele nos destruiu.
Na manhã seguinte, voltei ao hospital. Ela parecia pequena, frágil. "Você não precisa ficar", sussurrou. "Eu sei que você me odeia." Não respondi. Apenas a abracei. A princípio, ela ficou paralisada, depois desabou em soluços, como a menininha que um dia me procurou com pesadelos.